O Conceito antes do Preconceito

Um dos aspectos sociais e éticos debatidos hoje é a questão do preconceito. Campanhas são lançadas periodicamente em prol do combate a discriminação, de todos os tipos, seja racial, sexual, de classe, ou de qualquer outra coisa onde haja uma diferença de opiniões que gere uma lacuna de relacionamento ou respeito entre ambas as partes.

Mas existe ainda um ponto que não é tão tratado tão regularmente, ou eficazmente, e nem de forma explícita por campanhas midiáticas, que é o direito de juízo.
Qual é o limite da instrução e correção em contra posição com o julgo desigual, ou preconceito?

Quando sabemos uma regra, ou preceito, e temos a capacidade de propagá-la aos demais, devemos fazê-lo. Isto é algo incrivelmente importante, pois cada um tem um conhecimento específico que é enriquecido com aquilo que o outro tem de domínio e vice-versa. Ou seja, tanto aquele que é instruído aprende, como o instrutor também.

Porém isso não é o que acontece sempre. Normalmente, aquele que tem por direito ensinar toma seu martelo de juiz e se coloca muito acima de seu ouvinte. Julga a causa, mas não observa, em si, se seus erros se assemelham àquele que está em pauta.
Em um capitulo fantástico de Romanos (capítulo 2), Paulo trata diretamente com os judeus essa falsa noção de superioridade, que os impedia de observar aquilo que estava logo abaixo de seus narizes. E ele inicia dizendo:

“Portanto, és inescusável quando julgas, ó homem, quem quer que sejas, porque te condenas a ti mesmo naquilo em que julgas a outro; pois tu, que julgas, fazes o mesmo”. (Rm 2:1)

E tal assunto é tratado de forma tão delicada que a “pena” por esse trato diferenciado com o próximo é a condenação no dia do Grande Julgamento, onde, quem realmente pode julgar, julgará com mão de ferro àqueles que se colocam em Seu lugar, digo o próprio Deus.
A base do preconceito é o julgamento embasado em convicções destorcidas. A falta da autoanálise antes de agir como guia ou tutor.
Paulo também ensina ao seu pupilo, Timóteo, que ele deveria se aplicar, inclusive, na exortação. Ou seja, deveria alertar o povo sobre seus erros, instruir na verdade e ser realmente aquele que trata de causas delicadas com os da igreja e tudo mais. Contudo, antes de permitir-lhe tal responsabilidade Paulo o convoca a algo mais profundo:

“…torna-te padrão dos fiéis, na palavra, no procedimento, no amor, na fé e na pureza”. (I Tm 4:11b)

Antes de qualquer atitude, por mais bem intencionada que ela seja, nós devemos nos questionar como tem sido nossa própria vida. Qual julgo daremos para nossos atos. Como ensinaremos algo a alguém, sem que nós mesmos sejamos aprovados nesse quesito?
Assim deixamos por fim, o resumo da instrução de Paulo a seu jovem discípulo, trazendo o real sentido de ser separado e irrepreensível:

“Tens cuidado de ti mesmo e da doutrina. Continua nesses deveres; porque, fazendo assim, salvarás tanto a ti mesmo como aos teus ouvintes”. (I Tm 4:16)

Que Deus nos livre do falso juízo e de preconceitos infrutíferos. E que Ele nos dê forças para nos tornarmos padrão dos fiéis, na palavra, no procedimento, no amor, na fé e na pureza.
Uma ótima semana a todos!

Abraços!!

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