13 Razões

13-Reasons-Why-Netflix-1

Um frenesi no mundo adolescente levou os acessos da série original do Netflix “13 Reasons Why” (13 Razões Pelo Qual) disparar e “conscientizar ”  adolescentes a respeito da história que trata do suicídio de uma jovem de 17 anos , Hannah Baker, após sofrer bulling no então High School e deixa 13 razões gravadas em áudio do porquê  teria feito tal coisa. A fornecedora da série, a Netflix e alguns engajados, tentam rotular o tema da série como “quebra de tabu”, ou “conscientizar a respeito do assunto que não se fala”, tentando conscientizar pessoas a situações para que não se repitam situações como as relatadas na série, o que na minha opinião é muito controverso.

Fiquei muito preocupado ao ver o enredo da série e comentários de adolescentes tentando levar a mensagem que a serie insinua ser positiva, a de repressão à prática de bulling que chegou ao extremo de um suicídio.

Se você é pai, assista a série e esclareça seu filho. Se você é um adolescente engajado ou que está procurando comentários sobre a série, cuidado, muito cuidado.

Ao nos debruçarmos em um veículo de entretenimento e assistir, ou seja, “nos alimentar” de algo desta natureza, perdemos os filtros, ou os deixamos de lado, e encaramos tudo aquilo que nos é transportado pelas interpretações e diálogos e suas consequências desenroladas nas cenas, como verdades para nós e atribuímos valores às cenas e as emoções e reflexões despertadas em nós como parâmetro para a nossa vida real. Acabamos transportando, carregamos isso para a nossa vida real. Isso é maligno, algumas cenas nos apontam hemisférios obscuros da nossa vida, acusam falta de normalidade em nós, se comparado a de uma vida normal onde situações podem ser superadas facilmente, começamos então a viver o drama de um espetáculo de arte, e inserimos problemas em nossa v13-reasons-why-razões-para-assistirida de uma obra que foi fabricada para despertar expectadores e promover lucro, não há nenhum engajamento politico ou de consciência científica ou como objetivo de eliminação ou ao menos atenuar o problema. Por isso apenas pelo ponto de vista geral temos que colocar as coisas em seus devidos lugares, a série não tem e nem deve ter nenhum efeito terapêutico ou de despertamento para uma realidade. O objetivo é lucro. Aceite isso.

Mas a falta de discernimento e imaturidade ao assistir a série, gera problemas sociais e causam consequências graves.

O jornal O Estado de São Paulo, e também foi reproduzido pela revista Exame, noticiaram exatamente que a mensagem da série tem despertado, o desejo de suicídio, o tema tem aumentado em 445% a busca nos órgãos de assessoria ao assunto nos Estados Unidos. (leia reportagem na integra aqui). Além disso, através dos trotes e aumento da pressão jovens da faculdade de medicina da USP tem efetuado suicídio por cessão as pressões e situações. (reportagem aqui)

Na minha opinião não se trata de coincidência, e sim de uma flexibilização do limite para se tirar uma vida, ou seja, que esteja devidamente justificado, com base e influência em uma obra de ficção que mostra um caminho, um caminho que justifica a minha atitude. Caminho este que desperta um problema de saúde pública e preocupa.

Se isso não te desperta a atenção, a mim como formador de opinião, me acende um sinal vermelho. Se você está entusiasmado e procura informações da série, vai um conselho. Assista com um responsável, e se proteja.

Pais, não permitam que seus filhos assistam sozinhos, esteja perto, esclareçam a eles , assistam antes, pesquisem.

Ainda há alguns esclarecimentos a respeito da série que quero fazer além de um alerta social, uma crítica e também um grande despertar para alguns aspectos.

Há algumas razões para se pensar.

  • Qual o motivo de esconder situações dos pais ? Se Hannah estivesse na primeira divulgação de fotos e boatos da escola, falado para seus pais, ou para um adulto, a situação teria parado por ali.  “mas você não entende, estragaria a vida na escola , ela era nova , e mimimi mimimi”. Há um conceito de rebeldia na adolescência que o adulto , os pais, não entendem a crise, vão fazer passar vergonha… Isso não é real, e então assuntos ficam restritos a pessoas que não tem maturidade para lidar e resolver as situações, geram agravamento e distorções que se resolveria de forma simples e rápida sem levar nenhum problema a diante.
  • As situações expostas são extremamente especificas de uma cultura que o mundo adotou como sua e querem copiar. A cultura escolar americana. Desde High School Musical e Glee, olhos adolescentes brilham quando o assunto é High School. Afinal é gente da mesma idade passando pelas mesmas situações que eu, podem dizer os adolescentes. Isso não faz parte do nosso hábito, da nossa cultura, da nossa rotina, trazer lições e comparar isso como que sofremos aqui é aplicar uma injeção letal para quem está apenas com um resfriado além de um exagero, não cabe. Sociologicamente pensando há uma diferença cultural gritante de indivíduos que não é possível se adaptarem as situações como a que a personagem Hannah sofreu.
  • Há uma patologia clínica e psicológica na vida de Hannah Baker. Seus pais não perceberam, ela não pediu ajuda eles limitou-se a estender seus sentimentos um objeto e julgou que isso era suficiente. Uma fita com sua voz. Ela não pediu ajuda de fato, ela estava extremamente problematizada, tudo tinha proporções gigantescas, ela precisava sim de amor, mas precisava de ajuda profissional e tratamento psiquiátrico. Mas principalmente, precisava de seus pais, da proteção que eles proporcionam diante de um drama sentimental. Isso não aconteceu. Se você passa por situações assim, fale com seus pais, seu líder, um tio de confiança. Alguém que está fora do ambiente, para ajudar você a julgar as situações e resolver problemas.
  • Por que essas fitas não foram divulgadas? Por que seus pais não tiveram acesso? Novamente o acesso às informações fica em poder de adolescentes que desapontam, armam, mente, confusos e não se determina a seriedade do assunto. Todos estão preocupados consigo mesmos, das consequências de seus atos inconsequentes e assim querem permanecer. A rebeldia novamente se aflora e dá margem a desvirtuar caráter e encobrir fatos, prejudicar, ameaçar o outro. Tudo fica tão obscuro, que a lucidez se perde enquanto um adulto maduro poderia ter a lucidez de mostrar aos pais, e resolver a questão judicial, tudo começa a ficar mais e mais confuso, pois o adulto é ameaçador, não conhece os pensamentos da idade, da modernidade. Muito errado. Pais são aliados, pessoas que querem bem, às vezes rígidos e não muito liberais, mas interessados em você e em seu futuro. Acate o que dizem, talvez seja careta agora, vergonhoso, mas no futuro vai agradecê-los por agir assim.

Há muito valor na série, foi muito bem produzida, atores são excelentes. Há um roteiro dramático com um pouco de suspense que nos deixa encantados. Nos identificamos com personagens, que foram muito bem construídos e atuados. Amamos os mocinhos e detestamos os vilões. Não dá vontade de parar de assistir até ver o clímax. E o final não nos decepciona. Uau, muito boa série. Sim boa, no quesito arte, espetáculo e entretenimento, produção e não quanto às questões levantadas. Transferir um aspecto de produção técnica e de boa interpretação para a solidez e discussão de temas pesados e delicados, não combinam, não tem como acontecer. Se identificar com personagens e gostar ou amar a história, não significa que está engajado a divulgar os assuntos que ela aborda ou uma chancela, uma permissão de que você precisa divulgar ou militar nesta causa daqui por diante. Por favor PARE. Assista, curta, mas com supervisão se é menor de 18 anos, e se protegendo, e principalmente distinguindo arte de realidade. Se algo toca a realidade, não significa que tem toda a verdade a respeito do assunto. Tenham maturidade para o entretenimento e não comprem pensamentos prontos. Reflita. Desenvolva um pensamento crítico, submeta isso a Bíblia, ao seu relacionamento com Deus, com seus Pais. Não seja massa de manobra.

Quero espiritualizar um pouco a coisa.

Quando estamos inseridos em uma realidade de um grupo de adolescentes, podemos e devemos ser agentes de mudanças.  Se alguém cristão de fato tivesse cruzado o caminho de Hannah Baker, sua história teria mudado. Somos agentes de transformação neste mundo, e quantas pessoas precisam de uma palavra de esperança e recebem apenas dedos apontados e costas viradas, risadas e comprimentos de longe, sem sequer se importar.

Eu e você fomos chamados para ser sal e luz neste mundo, onde chegarmos as trevas se dissiparão.
“Vocês são o sal da terra. Mas se o sal perder o seu sabor, como restaurá-lo? Não servirá para nada, exceto para ser jogado fora e pisado pelos homens. “Vocês são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte.  E, também, ninguém acende uma candeia e a coloca debaixo de uma vasilha. Pelo contrário, coloca-a no lugar apropriado, e assim ilumina a todos os que estão na casa. Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus” Mateus 5:13-16

Notavelmente, há uma opressão maligna na vida daquela linda jovem, e ela vai tomando conta dos personagens no desenrolar da história. Pensam em matar pessoas, outras se matam, o clima é pesado recheado de morte e de tragédias que dramatiza ainda mais o contexto, há muita tristeza e solidão. Onde diante disso, a protagonista Hannah olha para si mesmo e conclui que ela não tem valor nenhum. Que tudo que está passando, é por quê de alguma forma ela merece isso. Não é desta forma que Cristo nos chama. Somos príncipes e princesas. Quando Deus olha para nós ele não nos subjuga, ele nos ama e nos socorre quando permitimos.

“Vocês, porém, são geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo exclusivo de Deus, para anunciar as grandezas daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” 1 Pedro 2:9

Portanto Jovens, pais, sigam as escrituras não fraquejem em coisas deste mundo. Fiquem firmes pois tem vencido o maligno. Sejam canais de benção, permitam que Deus lhe mostre o seu verdadeiro valor. Não permita que ninguém , nem o inimigo te diga quem você é, toda a nossa dignidade nos foi dada quando Cristo nos amou e morreu na cruz em nosso favor. Ele nos ama de tal forma , que se deu em nosso favor. Não é necessário nenhum outro sacrifício, ele já pagou o preço pela nossa condenação e nos chama de volta para si para nos salvar.

Sua morte e ressurreição que celebramos neste domingo de páscoa, nos garantiu uma passagem eterna ao seu lado mesmo aqui , neste mundo corrupto e perdido, podemos ser luz e sal para sermos a expressão daquele que nos amou para que sejamos seus embaixadores nesta terra, um refúgio de esperança e amor .

 

Que Deus nos Ajude.

Deixe uma resposta