Você me ama?

Quem nunca teve queme ama responder essa pergunta, não sabe o que é ter aqueles 2 segundos de pânico, pensando em tudo o que fez naquele dia, para tentar entender o porquê dessa pergunta. “Será que falei alguma besteira”? “Será que eu não tenho demonstrado o quanto eu amo de verdade”? “O que foi que eu fiz dessa vez”? Todas essas dúvidas, e mais outras zilhares, passam de uma vez só por nossa mente, antes do mais rápido e positivista: “Lógico que sim, eu te amo”!

Mas, mais terrível que o primeiro questionamento, é o próximo, o famoso: “Não, é sério, estou perguntando de verdade, você me ama mesmo”? Este vem mais gelado, a dúvida sobre o amor sincero ainda persiste e não sabemos onde foi que baixamos a régua do carinho, afeto e da demonstração plena de amor, ou em algumas vezes, pode ser que passemos a questionar se tudo o que se viveu foi amor, ou apenas paixão, ou afinidade. “E agora, o que respondo”?

Contudo, depois desse burburinho dentro de nossa caixa de pensamentos e do frigir do sangue em nosso corpo todo, respondemos, com uma cara mais emotiva: “Sim, é claro que eu te amo! Por que está perguntado isso”? “Preciso saber, apenas” – responde o interlocutor – e essa resposta nos gera mais aflição do que a própria pergunta, mas seguimos em frente.

Por fim, o estopim, a última e decisiva terceira pergunta. Olho no olho, aumentando a ênfase na interrogativa, surge ecoante: “Quanto você me ama”?

Agora chegamos ao ponto mais sincero da conversa. É difícil mensurar o amor. Para muitos, ou se ama, ou não se ama, não há meio amor, ou outras frações do mesmo. Para estes, existe o sentimento puro e verdadeiro, e há também a compaixão, o interesse, a piedade, qualquer coisa, tudo, menos amor real.

Entretanto esse contexto, completamente atual, foi repetido por dois grandes amigos, cerca de 2000 anos atrás, em frente ao mar de Tiberíades. Onde havia diferença de amores sim, pelo menos no radical da palavra.

amoresTraduzido do grego para português, Phileo, Eros e Ágape todos são amor, mas sua relevância e contexto se alternam. Eros é o amor “sensual” entre duas pessoas, não que seja profano, mas algo que atraí para uma intimidade de contato físico e afetiva. Phileo é o amor fraternal, entre amigos, irmãos, este traz um senso de respeito, companheirismo e mutualidade de gostos e perfis. Por fim, Ágape, este é o amor entre o ser humano e Deus, onde há o elo espiritual profundo, a ponto de haver uma entrega sacrificial mais profunda, neste amor.

Quando Pedro fora interrogado por Jesus, logo após um momento de uma grande pescaria e um belo almoço, o que entendemos é: “você me ama”? “Sim, você sabe que amo”! Como uma pergunta sincera entre um homem e seu mestre. Porém, a profundidade destas poucas palavras retumba em nossa vida, ao entendermos quais amores são colocados em prova aqui.

Pedro havia negado seu Senhor três vezes e dias depois, quando há a redenção do discipulador, ele não hesita em falar do amor. Mas qual amor? Se virmos mais de perto, Jesus indaga Pedro se ele o ‘Ágape’, mas ele responde, eu te ‘Phileo’ Senhor. Na segunda vez a posição não se altera, novamente Cristo questiona: “Pedro, tu me ‘Ágape’”? E ele confirma: “Tu sabes que eu te ‘Phileo’”!

Já na terceira vez, quando Pedro reflete realmente o quanto ele ama a Cristo, Jesus vem de forma enfática e pergunta: “Pedro, tu me ‘Phileo’”? E Pedro diz, entristecido, por querer amá-lo mais profundamente: “Senhor, tu sabes todas as coisas, tu sabes que, hoje, apenas consigo te ‘Phileo’”. E mesmo assim, nas três vezes, o Senhor lhe responde pedindo para que cuidasse de suas ovelhas.

O amor é vivo. Ele se regenera, ele se expande, ele cresce sim. E Deus sabe disso. Ele nos conhece e quer que realmente cheguemos a amá-lo mais do que a própria vida. Só que Ele deposita em nós a plena confiança de cuidarmos de seu reino, mesmo antes que alcancemos tão profundo amor.

Ele nos convida a caminharmos com Ele, a vivermos por Ele. Mas sabe que poucos completam uma maratona, sem antes correr uma prova de 100m. Um passo de cada vez, é isso que Ele espera, porém um passo na direção certa. É claro! Buscando à profundidade de seu Espírito.

Questione-se sobre o quanto você ama seu amigo(a), sua família, seu parceiro(a), namorado(a), marido ou esposa. Questione-se sobre a intensidade de seu amor pelo Senhor. Eros, Phileo, Ágape, qual destes? Ou nenhum desses.asmo

Jesus aceitou o ‘Phileo’ de Pedro, e no fim da jornada deste pescador, dos altos céus, Cristo viu que ele o amou tanto, que morreu por este amor e não negou a sua fé.

Precisamos ser fortes, precisamos amar a Deus sobre todas as coisas, mas também precisamos aprender a desenvolver nosso amor. E jamais ter medo de responder essa tão profunda pergunta: “Você me ama”?

Um ótimo final de semana a todos! Que o Senhor nos ajude a amar mais e mais a cada dia!

Abraços!

PS: Texto adaptado de sermão do Pr. Ricardo Germischeidt, sobre João 21:15-17.

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